Crítica: BoJack Horseman, 6ª temporada – parte 1

SEM spoilers da última temporada de BoJack Horseman!

Disponível no streaming da Netflix desde o dia 25 de outubro, a animação adulta BoJack Horseman está de volta para o começo de seu fim. A primeira parte da última temporada, que conta com oito episódios inéditos, dá largada à resolução dos principais conflitos desencadeados anteriormente pelo cavalo protagonista. Agora, mais empenhada do que nunca em retratar as consequências de escolhas dos personagens, esta temporada pesa a mão nas referências às anteriores.

A produção de Raphael Bob-Waksberg já abre a sexta temporada de maneira inesperada; afinal, o primeiro episódio tem cronologia não linear e sequer exibe a icônica abertura da série. De maneira geral, BoJack (Will Arnett), o deprimido astro de Hollywood, surpreende o espectador pela recuperação bem-sucedida na reabilitação contra o vício em drogas.

Empenhado em perdoar a si mesmo pelos erros de uma vida inteira de más decisões – principalmente por influência do consumo excessivo de álcool –, o cavalo antropomorfizado recorre às piores lembranças de seu passado; assim, BoJack evita ceder aos próprios vícios e é capaz de cumprir com as inúmeras atividades propostas pelo centro de reabilitação. Uma dessas memórias refere-se à perda de sua amiga Sarah Lynn (Kristen Schaal), que morrera de overdose em um planetário, na terceira temporada, enquanto passava um tempo com o protagonista.

Imagem: divulgação

Céu estrelado e outros núcleos

Por causa do contexto dessa morte, a abertura da animação expõe, desta vez, e ao invés de o usual céu azul das temporadas anteriores, um céu escuro e estrelado – como aquele artificial no teto abobadado do planetário. Enquanto isso, em outros núcleos da série, a empresária e agente de famosos de Los Angeles (Califórnia, EUA), Princesa Carolyn (Amy Sedaris), tenta conciliar a frenética vida profissional com a adoção de uma meiga bebê porco-espinho.

Do outro lado, Diane (Alison Brie), agora divorciada de Sr. Peanutbutter (Paul F. Tompkins) e repórter de um badalado veículo on-line, envolve-se amorosamente com um colega de trabalho. Já Todd (Aaron Paul) permanece na mesma situação de quase sempre: desempregado e ingenuamente alegre.

Mesmo que a história de cada personagem da produção tenha andado muito pouco – o que é bom, se considerarmos que tudo encaminha-se para o fim –, esta temporada é a mais simbólica, coerente com a narrativa e nostálgica de todas da série.

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Maturidade constante

Tudo conflui para que o espectador relembre momentos cruciais da vida de BoJack, como a infância conturbada com os pais tóxicos; o início da carreira no show business; todos os trabalhos dos quais participou; a demissão de seu melhor amigo da sitcom Horsin’ Around; a morte deste; a morte de Sarah Lynn; o quase envolvimento do cavalo protagonista com uma menina menor de idade, e outros casos polêmicos e complexos.

Logo, é visível que a produção de BoJack Horseman tem bastante consciência quanto à riqueza de seu material. Sem medo de parecer “cult demais”, a animação segue com o formato pouco óbvio e cuidadosamente sensível. Além disso, as críticas à sociedade hollywoodiana continuam, tal como a comédia escrachada e divertida de Todd e Sr. Peanutbutter; que em momento algum atrapalha o drama da história central.

Se você espera, finalmente, acompanhar mudanças drásticas nas vidas de BoJack, Diane e Princesa Carolyn, esta é a temporada ideal. Ou melhor, ao mesmo tempo em que pontas soltas passam a se encontrar, nada é previsível; e a série demonstra o seu avanço e maturidade constante. Aguardemos, ansiosamente, a última parte do fim – que estreia na Netflix em 31 de janeiro de 2020.

Imagem: divulgação

Ficha técnica

Criação: Raphael Bob-Waksberg

País: EUA

Ano: 2019

Elenco: Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie, Aaron Paul

Gênero: Animação, Comédia, Drama

Distribuição: Netflix

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