[Crítica] Sharp Objects – 1º episódio

No último domingo (08), estreou a nova missérie da HBO, Sharp Objects. Estrelada por Amy Adams (A Chegada) e Patricia Clarkson (Ilha do Medo), a produção é inspirada no romance homônimo de Gillian Flynn (também autora de Garota Exemplar), dirigida por Jean-Marc Vallée (de outra original HBO, Big Little Lies) e produzida por Jason Blum (de Corra!).

Quando Camille Preaker (Adams) tem de retornar à sua cidade natal, Wind Gap (Missouri, EUA), a investigação de uma série de assassinatos para o jornal em que trabalha faz com que a jornalista alcoólatra enfrente traumas profundos do próprio passado.

Camille (Amy Adams) e Adora (Patricia Clarkson) / Divulgação

Apoiando-se, tal como no livro, no subgênero de suspense psicológico, Sharp Objects começa muito bem. A tensão proposta pela fusão de duas linhas temporais da protagonista, interpretada por Sophia Lillis (It – A Coisa) em sua fase adolescente, confunde o espectador de modo intencional. “O que será que tanto atormenta Camille?”, “por que ela não consegue superar seu passado?”, e “o que de tão horrível aconteceu em Wind Gap, para transformar a jornalista em uma jovem alcoólatra e perturbada?”, são algumas das questões que, facilmente, podem passar pela cabeça de quem assiste ao episódio.

A falta de linearidade na rotina de Camille, seu vício em álcool e na automutilação, assim como seus pesadelos insuperáveis, enfatizam uma época sombria de sua vida. Usando sempre mangas longas, a protagonista “alimenta-se” basicamente de garrafinhas de vodca e barras de chocolate. Quando notificada por seu chefe de que irá investigar o assassinato de duas jovens garotas de sua cidade, Camille reluta. No entanto, o comprometimento com o trabalho – uma de suas únicas motivações aparentes na vida –, faz com que a personagem aceite dirigir até Wind Gap e refaça alguns de seus passos.

Nada parece ser fácil. Enquanto isso, interferências poéticas – como o enquadramento do pescoço de Camille no plano de fundo de um objeto pontudo; um cartaz da campanha presidencial de George Bush e outro de Barack Obama, para marcar a passagem de tempo; flashbacks que remetem ao momento atual, como a protagonista nadando em um lago e, mais velha, mergulhada em uma banheira…– são responsáveis pela contemplação visual do espectador.

Imagem: divulgação

A fotografia de Sharp Objects, assim como sua montagem, lembra bastante a de Big Little Lies (inicialmente uma minissérie, mas que já iniciou a fase de produção de sua segunda temporada). O clima frio da nova série – não somente o meteorológico, mas também o narrativo – é reforçado nas cenas de tons claros e pouco saturados; já a retomada constante de momentos do passado de Camille faz da montagem um trabalho de extremo cuidado e apreciação.

Ao final, há diversos ganchos que poderão ser melhor explorados nos próximos sete episódios da minissérie. A atuação de Amy Adams, como o usual, chama a atenção por sua alta qualidade, e os mistérios propostos pelo início da história lembram-nos das reviravoltas de Garota Exemplar (que virou um filme dirigido por David Fincher, em 2014). Esperemos, ansiosos, por mais!

Trailer:

(Fonte: YouTube / HBO Brasil)

 

O quê?

Sharp Objects (minissérie original HBO).

Onde?

HBO (TV) ou HBO Go (streaming).

Quando?

Episódio inédito todo domingo, às 22h. Confira as reprises do episódio de estreia (“Vanish”) aqui.

*Duração: 60 minutos (por episódio); classificação indicativa: 16 anos; gênero: drama, suspense; país: EUA; criadoras: Gillian Flynn, Marti Noxon; direção: Jean-Marc Vallée; elenco: Amy Adams, Patricia Clarkson, Sophia Lillis, Chris Messina.

 

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