O Juízo, thriller com Criolo e Fernanda Montenegro

Estreia desta quinta-feira (05), o thriller nacional O Juízo é uma obra feita em família. Isso porque o filme, escrito por Fernanda Torres, conta com a direção de Andrucha Waddington (marido de Torres) e a ilustre participação de Fernanda Montenegro (mãe da roteirista) no elenco. Já nos papéis principais estão Felipe Camargo, Carol Castro e Joaquim Torres Waddington – filho mais velho do casal que comanda a produção.

Na trama, o jovem interpreta Marinho, filho único de Tereza (Castro) e do protagonista Augusto Menezes (Camargo). Após ter perdido o emprego, e também por problemas com alcoolismo, Augusto muda-se com a família para uma cidade de interior. Lá, fica localizada a fazenda herdada por seu avô já falecido, que sequer conta com energia elétrica. Inicialmente, o isolamento quase total denuncia a solidão e a falta de intimidade dentre as três figuras. Mas, com o passar dos dias, uma ameaça sobrenatural agrava a situação, ao tomar conta das atitudes e dos desejos de cada um deles.

É aí que o cantor Criolo, estreante nos cinemas, entra em cena. Seu personagem, Couraça, é um espírito com sede de vingança, cuja última encarnação sofrera com as mazelas da escravidão. Ao lado do fantasma de sua filha, Ana (Kênia Barbára), Couraça seduz a família de Augusto – que descende dos algozes do escravo. Assim, a sina dos Menezes impede que eles fujam de um destino cruel.

Imagem: divulgação

Produção de gênero

Esta não é a primeira vez que Waddington trabalha com Torres e Montenegro. Em Gêmeas (1999) e Casa de Areia (2005), ele dirigiu as atrizes mãe e filha – que mantiveram o grau de parentesco em ambos os filmes. No entanto, em O Juízo, os talentos do diretor, da roteirista e do elenco parecem não ter sustentado a qualidade do filme.

A princípio, a história que explora uma maldição e a mescla com relações sociais importantes é atraente. Além disso, o suspense recorrente contribui para o interesse do espectador; ainda mais pelo longa-metragem tratar-se de uma produção nacional de gênero. Mas, a inconsistência do roteiro faz com que a obra perca bastante força e, no fim das contas, tudo soa pouco inovador.

A ambientação é algo positivo no filme. A fotografia acizentada combina com o contexto bucólico e sombrio da trama, tal como as locações bem escolhidas dão um toque de verossimilhança à mesma. Naturalmente, as atuações de Camargo, Montenegro e Lima Duarte estão sólidas e admiráveis, como de costume. Enquanto isso, Criolo é uma tímida e grata surpresa no meio de veteranos da nata artística.

Imagem: divulgação

Clichês

Mesmo assim, a falta de ineditismo e identidade fazem de O Juízo um longa apenas curioso. O que é frustrante, se considerar-se o potencial que a história carregara. Afinal, um thriller nacional que discute a relação entre escravos e senhores brasileiros, ainda que de pano de fundo, é muito bem-vindo.

Ao investir pouco nesse tema, a produção distancia-se de algo original. Aliás, qualquer outra temática que direcionasse o roteiro a um desfecho surpreendente ou a desenrolares empolgantes seria melhor do que o conveniente resultado final. Infelizmente, o ritmo pausado da obra não é o suficiente para intrigar o espectador, e termina por insistir em artifícios um tanto quanto clichês; como ao transformar vítimas em vilões, ou ao explicar alguns pontos desnecessariamente.

Às vezes, o mistério é a melhor opção para filmes desse gênero. De qualquer forma, O Juízo acaba por diferenciar-se da excessiva oferta de longas-metragens nacionais de Comédia. Talvez, a produção integre à uma gama pertinente de obras brasileiras que pretendem diversificar o cinema nacional. E, é claro, isso sempre justificará uma possível preferência por sessões de filmes não-estrangeiros.

Trailer oficial:

Fonte: YouTube / ParisFilmes

Ficha técnica

Direção: Andrucha Waddington

Duração: 1h30

País: Brasil

Ano: 2019

Elenco: Felipe Camargo, Carol Castro, Joaquim Torres Waddington, Fernanda Montenegro

Gênero: Suspense, Drama, Terror

Distribuição: Paris Filmes


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