Curtas-metragens para assistir no Porta Curtas (pt. II)

Sem lançamentos nas salas de exibição devido à pandemia de Covid -19, o cinema brasileiro resiste na internet. São vários os meios para acessar produções nacionais, e um deles é Porta Curtas, plataforma que disponibiliza curtas-metragens gratuitamente. Além de um acervo repleto de títulos dos mais variados anos, diretores, gêneros e temas, o site está oferecendo uma seleção de 61 curtas indicados no primeiro turno do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2020 – ou seja, considerados o melhor da produção de curtas-metragens do ano passado. 

Nesta lista, indicamos alguns deles para você assistir sem sair de casa.

FARTURA

Um comentário sobre a passagem do tempo abre o novo trabalho de Yasmin Thayná (Kbela). Em Fartura, a diretora volta a tratar de ancestralidade. Desta vez não mais pela estética dos cabelos, mas pelas tradições festivas de famílias negras. 

Para tanto, o documentário sobrepõe fotografias e vídeos domésticos antigos com diversos relatos que recuperaram a relevância afetiva da comida como elemento de estímulo ao viver em comunidade. De acordo com o argumento do filme, festas são marcos temporais que ritualizam a vida. 

‘Fartura’/ Divulgação

SEM ASAS

Dirigido por Renata Martins, Sem Asas acontece todos os dias no Brasil. No filme, Zu (Kaik Pereira) é um menino de 12 anos. Ele é filho de Jussara, interpretada pela formidável Grace Passô, e Akins (Melvin Santhana).  A mãe tem um negócio de produção e venda de coxinhas que vai muito bem. O pai está prestes a começar em um novo emprego.

Tudo parecia estável, até que Jussara pede para que Zu vá à mercearia comprar mais farinha para suas coxinhas. No caminho de volta, o garoto descobre que é preciso ter asas para superar a estrutura que massacra gente nas periferias do Brasil.

‘Sem Asas’/ Divulgação

MARIE

Depois de quase duas décadas longe de sua terra natal, Mário (Wallie Ruy) volta para o sertão para enterrar o pai. Agora, porém, como Marie, assumindo sua identidade de mulher trans. Ao reencontrar-se com Estevão (Rômulo Braga), seu melhor amigo de infância, Marie é confrontada pelo passado. 

Dirigido por Leo Tabosa, o filme rapidamente se transforma em road movie. Na estrada, carregando o caixão do falecido para enterrá-lo numa outra cidade, Marie e Estevão compartilharão momentos nos quais memórias são recuperadas e conflitos, esclarecidos.

‘Marie’/ Divulgação

ILHAS DE CALOR

No colégio, Fabrício (Vyctor Tenório) só anda com as meninas. Ele e seu grupo de amigas cria rimas que desafiam o comportamento dos garotos no dia a dia escolar. Cansado de ser invisibilizado pelo resto dos alunos e nutrindo uma paixão secreta por um colega, Fabrício também tem algo a dizer em um poema.

Dirigido por Ulisses Arthur, Ilhas de Calor trata do embate entre o feminino e o masculino em uma escola pública do nordeste do Brasil. Ali, num ambiente de formação e educação, a energia dos jovens aponta para as subjetividades da diversidade. 

‘Ilhas de Calor’/ Divulgação

SANGRO

Neste documentário animado, o narrador compartilha com o espectador um relato íntimo sobre como é descobrir-se portador do vírus HIV. 

Singelo e ao mesmo tempo super expressivo, Sangro exibe um extraordinário trabalho de composição entre narração e estética. Para isso, os diretores Bruno H Castro, Guto BR e Tiago Minamisawa trabalham com variadas técnicas de animação, construindo, assim, imagens intensas que falam sobre angústia, medo, incertezas e estigmatização. 

‘Sangro’/ Divulgação
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